O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem afirmado que, em 2022, é importante seu partido e aliados elegerem grandes bancadas no Congresso. E que caso volte ao Planalto, não quer ter problemas como os que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff (PT).
O desejo do ex-presidente é que o Legislativo seja presidido por 2 emedebistas que já foram seus aliados: Renan Calheiros, senador por Alagoas e Eunício Oliveira, que estuda ser candidato a deputado pelo Ceará. Ambos têm boa relação com Lula e já presidiram a Casa Alta.
Na noite da última quarta-feira (06), Eunício promoveu um jantar em sua casa com Lula e outros integrantes do PT e do MDB. Os emedebistas já sabem que não terão candidato próprio ao Planalto. A dúvida é se terão como fazer uma convenção para apoiar o petista formalmente.
No jantar, concluiu-se que os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina são ainda pró-Bolsonaro no MDB. Nos demais, tem espaço negociar o apoio a Lula, em troca de suporte do PT para candidatos aos governos locais ou às vagas de senadores.
Além de Eunício, participaram do jantar pelo lado do MDB, os ex-senadores Edison Lobão e Lobão Filho, os senadores Veneziano Vital do Rêgo e Marcelo Castro, a senadora Nilda Gondim, o líder do MDB no Senado Isnaldo Bulhões e o deputado federal Walter Alves.
Também estavam presentes no jantar, a esposa de Lula, Rosângela da Silva, a socióloga Janja, e os petistas: Gleisi Hoffmann (presidente do partido e deputada); Paulo Rocha(senador); José Guimarães (deputado); Paulo Teixeira (deputado); Luiz Dulci (ex-ministro).
Alguns emedebistas estavam na lista de convidados, mas não compareceram. Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, disse que ia. Próximo de Jair Bolsonaro (sem partido), porém, não foi.
Também não compareceu o ex-presidente José Sarney. Ele tem boa relação com Lula, mas sua mulher teve um problema de saúde. Renan Calheiros e Eduardo Braga também não foram. Os dois senadores integram a CPI da Covid, que investiga o governo federal. Haveria desgaste político caso se encontrassem com Lula. No caso de Renan ainda haveria um agravante: ele é o relator da comissão.
Eunício divulgou o encontro com o petista em sua conta no Twitter:
O ex-presidente da República falou sobre a conjuntura política. Fez declarações sobre o atual presidente Jair Bolsonaro e mencionou o aumento da inflação, da fome e citou programas sociais como o Fies.
O petista não trabalha com a hipótese de Jair Bolsonaro sofrer impeachment. E nem com a possibilidade de uma 3ª via deslanchar. Refere-se à eleição para presidente da República em 2022 como uma disputa entre ele e o atual ocupante do cargo.
No encontro, Lula demonstrou ressentimento de duas pessoas: do ex-juiz federal Sergio Moro e do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Lula declara que Palocci mentiu para tentar se salvar. O adjetivo mais publicável que usa contra o ex-aliado é “rato de esgoto”. Palocci chegou a ser tratado no governo do petista como um possível sucessor do então presidente.
Moro conduziu processos contra Lula na operação Lava Jato. Depois, tornou-se ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.
LULA EM BRASÍLIA
O ex-presidente chegou à capital no domingo (03), conversou com governadores aliados e, na segunda-feira (04), com congressistas do PT. Nos dias seguintes teve reuniões políticas com os presidentes do PSD (Gilberto Kassab), do PSB (Carlos Siqueira) e do Solidariedade (Paulinho da Força).
Na quinta-feira (07), dia seguinte ao jantar com Eunício, visitou uma cooperativa de reciclagem na periferia de Brasília e, nesta sexta-feira (08), irá conceder entrevista à imprensa.
Com informações do Poder 360.
