Em evento realizado na Zona Sul do Recife na tarde desta segunda-feira (7), o Podemos, partido presidido em Pernambuco pelo deputado federal Ricardo Teobaldo, oficializou o seu apoio à pré-candidatura de Miguel Coelho (DEM) ao Governo do Estado.
A aliança, porém, não garante que o prefeito de Petrolina votará em Sergio Moro (Pode) para presidente da República caso a postulação do ex-ministro da Justiça ao Palácio do Planalto se consolide. Segundo o gestor, seu posicionamento com relação à eleição nacional vai depender do caminho que o União Brasil, legenda que será formada pela fusão do DEM com o PSL, trilhará nos próximos meses.
“O União Brasil ainda nem existe, vai passar a existir a partir de amanhã, e isso (eleição nacional) será um tema debatido nacionalmente pelo partido. O que a gente defende é que o nosso palanque esteja aberto para todos os que acreditam na mudança e que acreditam que a mudança fará bem para o povo pernambucano”, declarou Miguel.
Renata Abreu, deputada federal e presidente nacional do Podemos, não citou o ex-juiz da Lava Jato em nenhuma parte do seu pronunciamento na capital pernambucana. Questionada pela imprensa sobre o posicionamento de Miguel, ela disse não ver problemas na configuração, pois, na sua visão, a eleição para governador seria completamente independente do pleito para presidente da República.
“A gente entende que uma candidatura ao governo tem uma aliança muito ampla de partidos e muitos deles têm seus candidatos à presidência. Eu acho, inclusive, que o voto para presidente vai além da discussão de governo, são duas coisas super independentes. Acredito que todos os partidos que estejam na aliança do Miguel estarão contemplados, terão o apoio dessa candidatura”, defendeu.
O ato que formalizou a aliança de Miguel com o Podemos reuniu diversas lideranças políticas, como prefeitos, vice-prefeitos e parlamentares. Além de Renata Abreu e Ricardo Teobaldo, estiveram no encontro o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), o deputado federal Fernando Filho (DEM), além dos deputados estaduais Antônio Coelho (DEM), Wanderson Florêncio (Pode) e Romero Sales Filho (PTB). A deputada estadual Alessandra Vieira e seu marido, Edson Vieira, ex-prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, também participaram do evento. Ambos são filiados ao PSDB da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra.
Raquel também é pré-candidata a governadora e participou de uma reunião com o prefeito de Petrolina no último sábado (5), no Recife. Desde o ano passado, rumores apontam que a relação dos gestores estaria estremecida, mas Miguel nega qualquer afastamento entre os dois. “As minhas conversas com Raquel nunca pararam, a gente sempre teve um diálogo muito aberto, muito franco, as nossas pré-candidaturas estão postas e fizemos uma reunião de alinhamento, até para poder trocar impressões, estratégias. A oposição estará unida e a gente continua defendendo que é bom ter duas candidaturas, só temos que aguardar para saber como isso será jogado”, pontuou.
Questionado se o Podemos ocupará a vaga de vice ou do Senado na chapa de Miguel, Ricardo Teobaldo afirmou que isso ainda não foi debatido, mas garantiu que a presença da agremiação na majoritária jamais foi uma condição para a formação da coligação em prol do prefeito sertanejo.
“A nossa maior preocupação é mudar Pernambuco, é construir um projeto novo, algo diferente do que está aí. O Podemos já votou na oposição em todas as últimas eleições, tudo isso porque achamos que Pernambuco precisa se oxigenar, é muito ruim para a política alguém achar que é dono do Estado ou do município. A gente tem que eleger alguém que tenha compromisso, que seja testado e aprovado, assim como Miguel”, cravou.