Com a abertura da janela partidária na última quinta-feira (5), o cenário político de Pernambuco entra em um período decisivo de reorganização das forças partidárias. O prazo, que segue até 3 de abril, permite que deputados federais e estaduais mudem de partido sem risco de perder o mandato.
A expectativa é de que mais de 30 parlamentares no estado troquem de legenda nas próximas semanas, o que pode alterar a correlação de forças na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), na bancada pernambucana da Câmara dos Deputados e também na Câmara Municipal do Recife. Só na Alepe, a estimativa é que mais de 20 deputados estaduais mudem de partido.
Entre os nomes cotados para troca de legenda estão Túlio Gadelha (Rede), Maria Arraes (Solidariedade), que pode migrar para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), além de Fernando Monteiro (PP), apontado como possível reforço do Partido Social Democrático (PSD). Também aparecem nas articulações Guilherme Uchôa Jr. (PSB), Mendonça Filho (União Brasil), Luciano Bivar (União Brasil) e Fernando Rodolfo (PL), que ainda não definiu destino partidário.
Na Câmara Municipal do Recife, o vereador Gilson Filho deve deixar o Partido Liberal (PL) para se filiar ao Podemos, com o objetivo de disputar uma vaga na Alepe. A sigla é a mesma que recebeu o ex-ministro Gilson Machado Neto, que também deixou o PL e anunciou que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Caso as projeções se confirmem, partidos como Partido Social Democrático (PSD), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Progressistas (PP) e Podemos podem ampliar suas bancadas, enquanto siglas como Solidariedade, União Brasil e Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) podem sofrer redução.
Para o cientista político Bhreno Vieira, as mudanças antecipam o desenho das alianças para o Governo de Pernambuco e para o Senado. Segundo ele, ao trocar de partido neste momento, parlamentares sinalizam onde acreditam que estarão os polos de poder no próximo ciclo eleitoral.
Vieira aponta dois fatores principais para esse movimento: a polarização política no estado, marcada pela disputa entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife João Campos, e a busca por partidos com maior estrutura, capazes de oferecer recursos, tempo de propaganda e melhores condições eleitorais.
Além da janela partidária, o calendário eleitoral estabelece que até 4 de abril os candidatos precisam estar filiados a um partido e com domicílio eleitoral definido. O prazo também marca o limite para desincompatibilização de chefes do Executivo que desejam disputar outros cargos e para o registro de novos partidos e federações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).