CCJ do Senado rejeita coligações, mas aprova parte da PEC da Reforma Eleitoral

Nesta quarta-feira (22), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que muda regras eleitorais. O parecer, da senadora Simone Tebet (MDB-MS), considerou inconstitucional a volta das coligações partidárias.

De acordo com a senadora, a volta das coligações causa distorção no voto popular, dado que um candidato muito bem votado pode ajudar a eleger outros com ideologia e princípios diferentes do que o que levou a maior parte dos votos.

“A distorção do voto do eleitor decorrente da livre coligação partidária nas eleições proporcionais atenta contra duas das quatro cláusulas pétreas arroladas no art. 60 da Constituição: o voto direto, secreto, universal e periódico e, na medida em que o voto é um dos direitos políticos fundamentais do cidadão, os direitos e garantias individuais”, declarou a relatora.

As eleições de 2022 seria o primeiro pleito nacional sem coligações. Porém, para que as regras valham para o próximo ano, precisam ser promulgadas até o começo de outubro.

“Se o funcionamento do sistema repousa na distorção sistemática de um percentual variável dos votos, enfrentamos uma questão de inconstitucionalidade”, escreveu Tebet. A senadora avaliou que o fim das coligações não ferem a pluralidade de pensamentos ao inviabilizar partidos menores e que o conceito da inconstitucionalidade desse modelo já foi construído no Congresso.

O relatório também libera que congressistas que trocarem de partido com a anuência de seus partidos não sofram as penalidades previstas pela chamada “infidelidade partidária”. Outro tema rejeitado por Tebet foi o afrouxamento das regras para ser apresentado um projeto “de iniciativa popular”. Segundo o texto aprovado pelos deputados, bastava 100 mil assinaturas eletrônicas para dar início à tramitação.

Pelas regras atuais, uma proposta desse tipo precisa de ao menos 1% do eleitorado nacional, distribuído por 5 Estados, com pelo menos 0,3% dos eleitores de cada um deles. Os senadores temiam que essa facilitação lote o Congresso com projetos de temas já superados pelos congressistas ou que não têm apoio nas Casas, mas que tomariam tempo do Legislativo. Na prática, a quantidade de propostas poderia travar ainda mais os trabalhos na Câmara e no Senado.

Como os senadores apenas suprimiram trechos da PEC e fizeram alterações de redação, sem alterar o mérito do que foi aprovado pela Câmara, o texto aprovado segue para a promulgação do Congresso para rediscutirem o que foi retirado em uma nova proposta que deve tramitar do zero.

Com informações do Poder 360.

Compartilhe: