Militante das causas sociais e diretor da Universo Recife, Bira da Universo vem trabalhando forte com ações sociais nas comunidades carentes do Recife. Ele também é diretor de 21 entidades filantrópicas em Pernambuco e agora coloca o seu nome à disposição da sociedade pernambucana e será candidato a deputado estadual nas eleições de 2022. Bira ainda não definiu o partido que vai disputar. Confira agora a entrevista que Bira da Universo concedeu ao Blog do Jorge Lemos.
Jorge Lemos – Como tem sido a participação do professor Bira sem mandato?
Professor Bira – Como deveria ser o de todo cidadão, que é fazer o bem. Todas as vezes que nós tivermos a oportunidade de ajudar, mesmo que seja só ouvir. A ajuda não precisa ser apenas financeira, tem pessoas que não têm dinheiro pra dar, mas têm tempo disponível. É você dar um conselho, ouvir, tentar servir as pessoas. Quando há essa condição você não pode ser omisso, tem que tentar, cada vez mais, ajudar o próximo.
Mesmo sem mandato político, nós fazemos mais do que muitos políticos, pois temos cursos, tenho meus alunos que precisam estagiar, a clínica de fisioterapia, o NPJ (Núcleo De Prática Jurídica), clínica de fisioterapia, de enfermagem, de nutrição para que a população venha pra cá ser atendida. Nós também vamos nas comunidades carentes levar serviços através de parcerias como: Carro da mamografia, com a Secretaria de Defesa Social, fazendo as identidades, o ônibus da Compesa, e a Câmara de Conciliação e Julgamentos.
Já fizemos vários cursos de mediação de conflitos comunitários e, se Deus quiser, esse semestre ainda vamos montar 20 núcleos de mediação de conflitos comunitários dentro das comunidades. Os representantes das comunidades e presidentes desses conselhos já estão qualificados com o certificado da Universo como mediadores de conflitos comunitários. É um convênio que temos entre o Tribunal de Justiça de Pernambuco e a Universo. Nós temos que descruzar os braços, e não só esperar pelo governo. O bom de tudo é que só faz crescer. Hoje eu sou diretor voluntário de 21 entidades filantrópicas.
Jorge Lemos – O senhor é pré candidato a deputado estadual. Quais as bandeiras que serão defendidas na Alepe ?
Professor Bira – Ninguém pode ser pré-candidato de si mesmo, eu fui tenente do exército, fui da polícia civil como perito auxiliar, sou diretor dessas entidades, trabalho muito com educação, para mim educação transforma as pessoas e aqui temos muitos exemplos disso. Temos um convênio com o clube Náutico Capibaribe que damos bolsas de estudo para os atletas que jogarem no Náutico Pernambucano. Ano passado, o Náutico foi bicampeão feminino com alunas da Universo, talvez se elas não tivessem essa bolsa de estudos elas não teriam conseguido jogar lá. A gente cuida da educação, do esporte, dos atletas. Fui atleta e vice-presidente do Náutico e quando estávamos lá colocamos 40 modalidades olímpicas e amadoras. Quando eu saí do clube em dezembro de 2015 o Náutico era o clube com mais modalidades olímpicas e amadoras. Hoje fazemos muito pelo social, pedimos muito para os outros e nada para nós. O papel fundamental de todo político é esse, servir o próximo e não a si mesmo.
Jorge Lemos – Qual será a bandeira da sua campanha?
Professor Bira – Educação, esportes e o trabalho social.
Jorge Lemos – Esse trabalho da comunitarização está sendo bastante fortalecido principalmente porque as pessoas falam que o político se distancia quando se elege, a comunitarização será sua bandeira também?
Professor Bira – Sempre, como sempre foi. Eu estive com o pé na lama, nas comunidades, agora mesmo estamos montando cinco bibliotecas comunitárias para levar ensino e educação para pessoas mais carentes. Elas existiam antes da pandemia, mas acabou, com muita crise, pessoas faleceram, perderam os empregos. A nossa ideia é ampliar o que nós já fazíamos. Não podemos nos servir da política e sim servir para o bem. Temos que ampliar o que fazemos. Tendo um gabinete e poder político as portas se abrem, e vamos prestar contas do que nós fazíamos e o que iremos fazer.
Jorge Lemos – Como o senhor avalia o cenário político nacional?
Professor Bira – Polarizado. Nós contra eles, a esquerda contra a direita. É uma coisa muito difícil e quem perde é o povo, que fica espremido no meio. Eu acho que a população não pode mais escolher por escolher. O que acaba com o país é essa venda de votos, mas que muita gente da classe mais humilde que vende, e isso tá acabando com o país. Infelizmente a classe média alta é omissa na política. Nós temos que entender que a política é importantíssima, todos nós dependemos da política de alguma forma.
Jorge Lemos – Em relação à economia, como o senhor tem visto o momento econômico que o Brasil está passando?
Professor Bira – Em relação aos empresários, eu também faço parte da associação dos empresários do Brasil que é comandada pelo Fernando Mendonça. Nós vemos alguns setores que sustentaram o país, como o agronegócio. Em relação à educação tivemos uma baixa muito grande em todas as instituições pelo país, essa mudança, a quebra de paradigma. O que aconteceu agora, iria surgir daqui a cinco, dez anos, mas antecipou. Em relação à economia, eu acredito que terá uma retomada, infelizmente a pandemia está querendo voltar aos maiores números, mas eu espero que a gente consiga não fechar os nossos negócios, pois muita gente quebrou. Vimos a informação que quase 40% dos bares e restaurantes do país foram fechados durante a pandemia, por causa do lockdown. Temos que acreditar que dias melhores virão.
Jorge Lemos – O futuro da educação. O que muda a partir de agora pós pandemia?
Professor Bira – Já vem mudando, a pandemia fez uma mudança profunda na educação. Agora, a forma híbrida será a mais comum. Existe um ensino que é 100% à distância, que o professor grava a aula e o aluno assiste quando pode, mas muitos não se adaptaram a isso. No caso da universo e outras instituições, fazemos o ao vivo de forma remota, ou seja, ao invés do aluno estar em uma sala de aula presencialmente, ele estará em uma sala virtual. O melhor de tudo é que podemos ter professores chegando aos locais mais distantes. Com isso, terá uma descentralização da educação, e o aluno que vinha cinco dias consecutivos para a instituição não estará presencialmente diariamente.
Estamos na expectativa de atender os nossos alunos fisicamente, mas a decisão depende das ordens sanitárias, os decretos do governo. O Brasil tem dimensões continentais, Recife é uma grande capital, nós temos municípios a 700 quilômetros de distância e muitas vezes não conseguimos levar os professores para lá, mas hoje conseguimos pegar um grande professor que possa chegar nos lugares mais distantes, e pagando bem menos. Essa é a vantagem da internet e do trabalho híbrido que a educação está fazendo. Muita gente não queria, mas quebraram esse paradigma.