“A minha prioridade é a saúde dos gravataenses”, afirma Padre Joselito em balaço de sua gestão

O prefeito de Gravatá, Padre Joselito Gomes (PSB) recebeu o jornalista Jorge Lemos em seu gabinete e fez um balanço do seu primeiro ano à frente da Prefeitura. O socialista falou da saída da paróquia em 2015, a eleição para o conselho tutelar, a campanha e sua vitória nas eleições de 2020. Ex sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana falou das dificuldades que enfrentou ao deixar a igreja. Ele falou que a saúde foi a prioridade principal do seu primeiro ano de gestão e será uma marca que quer deixar quando sair da Prefeitura. Confira a entrevista exclusiva.

Jorge Lemos- O senhor, ao contrário de outras forças que tinham uma tradição em Gravatá, começou militando na política, no conselho tutelar, como se deu essa sua eleição para Prefeitura de Gravatá?

Padre Joselito – Em 2019, eu fiquei sabendo que a inscrição para uma vaga no conselho tutelar estava aberta e como alguns anos atrás eu estava à procura de trabalho, fiz a inscrição e fui concorrer a essa vaga. Quando chegou o momento de pedir o voto fui surpreendido pela população, tanto na cidade, quanto na zona rural. A população falava que Gravatá precisava de mim, e que gostava do meu jeito de ser e agir. Fui escolhido para o conselho e em Janeiro de 2020 tomei posse como Conselheiro Tutelar. Em novembro do mesmo ano, fui eleito prefeito. Um espaço de tempo muito curto para uma pessoa que não tinha vivência e convivência na política partidária, conhecimento de políticos influentes, apenas a população determinada a encontrar um nome.

Tinham tantos nomes fortes e com vasta experiência aqui no município, mas que não agradavam a população. Eu digo que foi uma determinação do povo, mesmo eu sem condições financeiras e sem carreira político partidária, a população abraçou essa causa. Aqui estou gestor, com esse compromisso de melhorar, mudar, transformar a vida das pessoas através do oferecimento de serviços de qualidade à população, seja nas estradas que estão sendo feitas, no abastecimento de água para regiões mais secas, na saúde ou nas oportunidades de trabalho e geração de renda.

Jorge Lemos – O senhor foi eleito através da aliança com o povo ? Livre dos acordos políticos que muitas vezes são realizados no período eleitoral?

Padre Joselito – Exato, quando ingressei no conselho tutelar eu já estava filiado ao PSB, não entrei no partido após ser eleito ou com a determinação de ser candidato a prefeito. Nunca fui filiado a partido nenhum. Em 2018, encontrei com o ex-prefeito de Gravatá Osano Brito, ele era presidente do partido, e me perguntou o que eu estava fazendo na vida e eu respondi. Não decidi naquele momento, pensei um pouco. Depois que eu deixei a paróquia em 2015, fui para tentativa de localização de trabalho, contei com a mão estendida do deputado Diogo Moraes em Santa Cruz e com Branquinho, prefeito de Bezerros, ambos do PSB. Nenhum deles me exigiu filiação e nem me perguntou se algum dia eu tinha votado neles.

Voltando à conversa com Osano, lembrei dos dois que me apoiaram e disse que seria um gesto de gratidão meu, onde no momento mais difícil, duas mãos se estenderam para mim, e foi assim que ingressei no PSB em 2018. Não entrei no partido para ser candidato, mas sim um militante. Na verdade, o partido não me escolheu de imediato como o candidato do partido, primeiro veio todo o processo do conselho, da situação do nome através da população. A partir disso, houve uma leitura a partir do PSB, e a conclusão foi que o meu nome seria apresentado. A partir também da conversa com outros partidos e da composição da chapa com o vice-prefeito que é do PL.

Jorge Lemos- Chegando na prefeitura, quais os principais problemas que o senhor enfrentou no primeiro ano de gestão?

Padre Joselito – O primeiro grande problema que você encontra é de não ter acontecido a transição como a lei diz que deve ser. Você inicia uma gestão às escuras, o que você precisa saber para continuar o serviço não é passado em relação ao financeiro, à saúde, a administração como um todo. A falta do que é necessário para prosseguir com o trabalho.

Outra situação encontrada é o que eu sempre chamo de faz de conta. Faz de conta que isso existe, faz de conta que aquele trabalho foi realizado, nem sempre uma pintura significa uma reforma. Isso dificulta bastante. Assim, sendo caminhamos um ritmo de fazer acontecer as ações, mas também de organização, de alinhamento das coisas, ainda estamos nesse processo. Muita coisa tem que ser ajustada e melhorada. Muita coisa já foi mudada, alcançamos muitos dados positivos, mas ainda há muito a se fazer.

Jorge Lemos – Como estava a questão dos cofres públicos da prefeitura quando o senhor chegou, de dívidas, como estava a questão do patrimônio do município?

Padre Joselito – O que nós encontramos para o município de Gravatá não foi uma quantia satisfatória, foi bastante limitado. Além da quantidade de dívidas, todo dia éramos surpreendidos, principalmente pela Secretaria de Finanças com determinadas cobranças. Em conversa com o secretário eu disse que a partir do dia 1° de janeiro iremos organizar nossas despesas, fazer nossos pagamentos. Pedi que priorizasse a folha a ser paga no mês, os fornecedores, os aluguéis e o que ficou para trás são dívidas do município, não podemos cruzar o pé e dizer que não iremos pagar, até porque iria paralisar a administração. Na verdade, conseguimos pagar nossas despesas, a folha, a 1ª parcela do décimo em julho, a 2ª em novembro e as dívidas do ano passado, cerca de R$4 milhões. Se o município não tiver saúde financeira não vai a lugar nenhum. Com a nova gestão, muitas pessoas vieram espontaneamente para pagar seus impostos.

Jorge Lemos – Qual a principal marca do seu primeiro ano de gestão?

Padre Joselito – A saúde, porque ao longo da campanha, as pessoas pediam para eu cuidar da saúde em Gravatá, sentia um pedido de socorro. O momento da pandemia pedia isso. A saúde ficou como sendo esta marca com a melhor organização no hospital, com mais dez leitos de UTI, e a retomada da construção da upa que estava parada há nove anos. Entregamos a UPA funcionando no dia 29 de dezembro de 2021, os postos de saúde com presença de dentistas, medicamentos, médicos, enfermeiros, a clínica da mulher, clínica de testagem, centro de vacinação. Foram passos importantes através da atuação do Dr. Édison e toda sua equipe. A ação do deputado estadual Waldemar Borges, o deputado federal André Ferreira e tantos outros deputados e senadores também ajudaram Gravatá destinando emendas.

Jorge Lemos- Como tem sido administrar uma cidade como Gravatá, que também vivencia muito o turismo, nesse momento de pandemia?

Padre Joselito – É uma realidade bastante complexa, principalmente no ano passado que tivemos que parar as atividades. Não é fácil, por um lado, pessoas estão morrendo, do outro, ficando sem emprego, sem renda, a gente sente isso na pele. Mesmo com a pandemia, fechamento de algumas atividades, muitas pessoas ainda estavam frequentando e residindo em Gravatá. Não foi um momento fácil, entendemos toda aquela situação, porém, é preciso ter um limite, até porque naquela ocasião não tínhamos a imunização das pessoas na velocidade que deveríamos ter.

Jorge Lemos – Em termos de captação de recursos, como o município de Gravatá tem conquistado recursos dos governos estadual e federal?

Padre Joselito – Estamos indo atrás, tentando trazer o que há de melhor para Gravatá. Seja através do deputado Waldemar Borges ou de encontros com o governador, e em Brasília com o Deputado André Ferreira. O que encontramos de emendas parlamentares vamos trazendo. Fizemos uma força tarefa para que o município não perdesse recursos, por falta de prestação de contas ou de pagamentos. Estamos agindo, mas precisamos de mais.

Jorge Lemos – O que os munícipes de Gravatá podem esperar da sua gestão em 2022?

Padre Joselito – Em 2022 estamos focados na educação e na infraestrutura. A educação devido à pandemia que tivemos uma paralisação. As aulas retornariam no dia 7 de fevereiro, mas houve uma orientação para remarcar para a próxima segunda. A educação ao longo de 2022 trará resultados positivos, já temos para o primeiro semestre a construção da escola onde funcionava a escola Gravatá, bem como três creches. Não há nenhuma creche em Gravatá. Temos sete obras que ficaram no meio do caminho e parecem estar abandonadas por nós, mas na verdade não estão. Desde o início chegamos juntos ao FNDE, para saber o que foi feito até o início da gestão.

A medida que essas obras forem sendo retomadas trarão muitos benefícios para a sociedade. Já há necessidade de um tempo, dá a entender que estão no esquecimento, mas não estão. Ao longo de todo ano tive preocupação de ver a parte burocrática, há conversas com todas as empresas que estavam responsáveis por cada obra e de uma obra que o município ainda tinha que pagar R $400 mil, chegamos com o resultado da auditoria e na verdade não é isso.

Jorge Lemos – O senhor está na sua primeira gestão, tem direito à reeleição, mas o que o senhor espera para entregar e deixar como marca para o povo de Gravatá como se fosse hoje o seu último dia de gestão?

Padre Joselito – Saúde, que já está sendo uma marca, continuará e a educação, até porque sem uma educação de qualidade não vamos a lugar nenhum, não tem como pensar em um futuro promissor se você não dá atenção à educação. Será cuidando desde o espaço físico, para que o profissional possa desenvolver seu trabalho, como o reconhecimento e valorização dos professores e profissionais da educação. A qualidade do alimento para merenda, o envolvimento escola-família, que já vem sendo realizado através de uma equipe multidisciplinar que está indo às comunidades, ouvindo pais, mães ou responsáveis os motivos de tais desistências, da ausência, da falta de motivação de voltar aos estudos. O período sem aula trouxe uma desmotivação, motivar as crianças e adolescentes não está sendo fácil. Em casa, muitos pais alegam a dificuldade de fazer isso, eles precisam ser ajudados, e esse trabalho já está sendo muito importante.

Jorge Lemos – Em relação às eleições de 2022, o senhor confirma o apoio tanto para Waldemar Borges, quanto para o deputado André Ferreira?

Padre Joselito – Sim, já tive reunião com vários segmentos no município, já fiz essa referência ao deputado Waldemar. Ele não faz por Gravatá a partir do ano de 2021, quem o conhece sabe que ele já vinha trabalhando pelo município, ele não gosta de apresentar o que através dele já foi feito na cidade, mas quando você faz o levantamento são constatadas muitas realizações. O deputado que reside em Gravatá e continua comprometido com a nossa população.

O deputado André Ferreira chegou através da junção do Pe. Joselito sendo candidato a prefeito do PSB e Júnior Darita do PL. O fortalecimento da chapa trouxe o deputado André Ferreira para ser o nosso federal. Ele é um deputado que sempre que possível está presente, seja aqui no gabinete, na comunidade, nas entregas, vem destinando emendas parlamentares para o município, trazendo também equipamentos como foi entregue uma pá enchedeira, está para chegar uma retroescavadeira. Dias atrás estava no terreno onde será construído a nova sede do Creas, emenda destinada por ele, tantos outros serviços que estamos podendo realizar através desse olhar também de compromisso do deputado André Ferreira com a população de Gravatá e com a nova gestão.

Jorge Lemos – Como tem sido a política de atração de investimentos na economia do município de Gravatá?

Padre Joselito – Estamos sentindo que as pessoas quando chegam para investir em Gravatá dizem que estão vindo devido a credibilidade que a cidade tem a partir do seu nome. Estamos organizando, trazendo o contribuinte, ou a pessoa para conversar. Estamos trabalhando, de forma segura para o município e para as pessoas. Seja na iniciativa privada ou pública, estamos sentindo que já há confiança.

Lembro do encontro com o governador onde levei a pauta da saúde do município. Perguntei o que o estado tem para a saúde em Gravatá, ele disse que o governo queria fazer muito mais por Gravatá e ligou para o secretário André Longo, que se dispôs a ajudar o município naquilo que for possível. Temos uma dificuldade relacionada à oferta de água em Gravatá, essa oferta precisa ser aumentada e para que isso aconteça, há necessidade de uma tubulação de Amaragi até Gravatá, essa tubulação já está sendo colocada, próxima à cidade e vai trazer uma solução para a quantidade de dias sem água em muitos bairros daqui do município. Foi uma atenção que a Compesa teve a nossa visita e de imediato veio olhar toda a nossa realidade. Tivemos a entrega do anel para o rio, uma obra do governo do estado que já estava acontecendo e foi entregue o ano passado, a construção civil que é o carro chefe da economia aqui em Gravatá.

Compartilhe: